quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Memórias

É tempo de eleição. Muita gente não gosta da política e eu confesso que também não sou muito simpatizante. É que fala-se tanta coisa negativa sobre os políticos que às vezes dá mesmo vontade de ficar longe deles.
E é neste momento que minhas memórias da infância me convidam a acreditar em alguém, a pensar que sempre surgirá um candidado que faz a diferença.
Eu me lembro na minha mais tenra infância dos lamentos de minha mãe. Cansada de morar em casas “alheias”, sempre mudando e cada vez mais para a periferia, eu a ouvia dizer: - Daqui a pouco não vamos mais ter para onde ir, pois já estamos na beira da mata.
Com a simplicidade da criança que eu era, olhava para aquela mata tão próxima da minha casa e ficava imaginando o que seria de nós.
Mas milagres acontecem, e aconteceu a Redenção. Eu tinha apenas 6 anos, mas a minha memória registrou com clareza: estavam construindo uma vila e nós, finalmente, teriamos a chance de ter a nossa casa. De novo, me lembro da fala de minha mãe: - Eu disse que não teriamos mais pra onde ir pois estávamos na beira da mata e agora este prefeito está construindo uma casa para nós do outro lado da mata. Deus ouviu a minha oração.
Me lembro que todos os dias minha mãe assava bolo, fatiava e mandava o meu irmão ir vender para os trabalhadores, do outro lado da mata. Meu irmão voltava dizendo que o prefeito estava lá, pessoalmente, acompanhando a construção. Ficava orgulhoso de ter visto de perto o homem que havia se preocupado em construir a nossa casa.
Certa vez, meu irmão chegou em casa com o tabuleiro vazio em uma mão e na outra um livrinho onde nos mostrava euforico, uma foto sua vendendo bolo para os trabalhadores.
Foram dias de alegria para aquela família humilde. Recebemos a nossa casa e eu nutria uma gratidão muito grande por aquele prefeito. E foi no dia da inauguração que eu pude chegar pertinho daquele homem. Levada pela mão de meu pai, olhei para cima do palanque e o vi e ouvi sua voz. Ele falava em homenagem ao seu pai e eu imaginei que o pai dele devia ser igualzinho ao meu. Chorou de emoção e eu me emociono até hoje quando me lembro.
O meu coraçãozinho infantil ficou cheio de ternura por aquele desconhecido que fez tanto por minha família. Desde então, tudo o que se falava dele me interessava e nas urnas eu nunca lhe neguei o meu voto. E quando ouço as falas dos que se opõem a ele, entrego o meu pensamento à criança que brincava, segura, no quintal enquanto ouvia sua mãe a cantar, alegre, a cuidar dos afazeres de sua casa.

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